30 ANOS DO PDT
30 ANOS DO PDT
O PDT nasceu para não entrar na geléia geral do MDB nem se confundir com o PTB, que representava o desvirtuamento e o desvio do trabalhismo. Foi fundado para expressar a pureza do trabalhismo, para representar as lutas nacionais do povo brasileiro e para defender os direitos dos trabalhadores. O PDT foi constituído sob a liderança de Brizola, que expressava sua natureza trabalhista de rumo brasileiro ao socialismo, ao mesmo tempo símbolo de coerência nos princípios e nos valores. Esta foi a marca do PDT nos tempos de Brizola.
Nos tempos de Brizola, o PDT ostentava uma presença ímpar no cenário nacional pelo brilho da liderança de Brizola e pela atuação de sua Bancada Federal, que desde a Constituinte marcou sua presença e deixou inscritos na Constituição o ideário trabalhista: monopólio estatal do petróleo, das telecomunicações e da energia nuclear; nacionalização do sub-solo e da navegação de cabotagem; ampliação dos direitos dos trabalhadores e do alcance da previdência social e de outros princípios. Nossa Bancada era representada por valores como Lysâneas Maciel, Brandão Monteiro, Bocayuva Cunha, Matheus Schimidt, Amaury Muller, Alceu Collares, José Maurício, Caó, Paulo Ramos, Vivaldo Barbosa e outros. Todos participavam da direção nacional e estadual do partido.
O PDT já não é o mesmo, ao celebrar os seus 30 anos! E não é apenas pela ausência de uma liderança nacional da firmeza de princípios de Brizola. Hoje o PDT é integrado por gente de todo tipo da política nacional: gente que é processada por desvios de recursos, gente que era adversária nossa no passado, gente que até já pediu intervenção federal no governo do PDT no Rio e hoje já se coloca para ser Deputado Federal do PDT! Nossa Bancada Federal não tem presença no cenário nacional e não expressa nossas bandeiras trabalhistas e nacionalistas. Quem, hoje, representa a luta de um Lysâneas Maciel e de um Brandão Monteiro, ou de um Amaury Muller? Quem, hoje, pode ser identificado com o que, na Câmara Federal, fizeram Paulo Ramos, José Maurício, Caó, ou Vivaldo Barbosa?
O PDT perdeu o brilho e descaracterizou-se. Participa dos governos de todos os partidos políticos no País: do Governo Federal e do PT nos Estados; do DEM na Prefeitura de São Paulo; do PSDB nos governos de Serra em São Paulo e de Aécio em Minas; do PMDB em Santa Catarina e em outros Estados; do PSB em Pernambuco e outros Estados. Participação em governos de forma meramente fisiológica, não para avançar em nossos princípios. O PDT assumiu a direção do Ministério do Trabalho. Em vez de avançar na conquista dos direitos trabalhistas, o Ministério implanta a pluralidade sindical e prepara projeto de lei de extinção do imposto sindical, afrontando princípios pedetistas e desrespeitando o que nossa Bancada conquistou na Constituição; implantou o trabalho aos domingos, em desrespeito aos comerciários; e enviou para ser engavetado no Congresso convenção da OIT que estabelece mecanismos de proteção à relação de emprego, como já preconiza a Constituição, em vez de colocá-la em vigor por decreto, como já havia sido feito e foi revogado pelo Fernando Henrique.
A organização interna do PDT é autoritária e personalista. O que prevalece são comissões provisórias nos Estados e municípios. Os organismos do PDT não se reúnem para discussão sobre temas que nos dizem respeito. O Diretório Nacional há três anos não se reúne. A direção nacional é eleita em convenção de poucas horas, misturando-se eleição de Executiva e de Diretório, sem deliberar ou fixar quaisquer diretrizes. O mesmo para os organismos estaduais. Não se divulga o diretório que a direção organiza, apenas lê-se na hora mais de duzentos nomes. Depois, verifica-se que nomes de valorosos companheiros não constam. Há pouco mais de um ano, fizemos uma chapa para disputar a convenção estadual e mudar esses descaminhos do PDT, encabeçada por Paulo Ramos e com participação de José M aurício, Caó, Vivaldo Barbosa, Fernando Bandeira, Hésio Cordeiro, Ronald Barata, José do Vale, João Leonel e tantos outros valorosos companheiros. Cassaram nossa chapa, sob a alegação de que não dispunha do apoiamento de 30% da convenção, o que não é exigido em nenhuma disposição estatutária. Criaram uma exigência para dificultar ou impedir oposição. Tivemos que ir para a justiça, onde o processo ainda rola, deixando a atual direção sub-judice.
Agora mesmo, a direção encaminha apoio à reeleição de Sérgio Cabral. Seu governo não construiu uma escola sequer, desenvolve uma política de segurança que se baseia na morte de jovens nas zonas carentes e de muitos policiais, apóia a concessão às empresas petrolíferas de nossa imensa riqueza do pré-sal, dentre outros confrontos com a linha política do PDT. Articulam uma aliança que nem candidato a Senador cabe ao PDT. Ao contrário da direção, achamos que o PDT tem de apresentar candidatos e indicamos os companheiros José Maurício para Governador e Caó para Senador. Reconhecemos que seja legítimo outros nomes serem considerados. Para restaurar a linha programática do PDT, para retomar nosso caminho trabalhista e nacionalista rumo ao socialismo, para que o PDT volte a ser brizolista, nós fundamos o MOVIMENTO DE REESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA – MRLB para aglutinar os companheiros em torno dos ideais do PDT e lutar contra os descaminhos e desvirtuamentos. Venha conosco, companheiro e companheira pedetista e brizolista, para fazer o PDT ter imagem e presença de respeito no cenário nacional, para voltar a ser um partido de princípios e valores, para voltarmos a ter orgulho de ser pedetistas.
Movimento de Resistência Leonel Brizola


