O PDT SOFRENDO ENTUPIMENTO EM SEU FLUXO VITAL
O PDT SOFRENDO ENTUPIMENTO EM SEU FLUXO VITAL
José do Vale Pinheiro Feitosa
O PDT está como uma pia entupida cheia de água cujo escoadouro estreito permite um filete que forma um funil de evacuação. E esta característica é só do PDT. Não seria do PTB, pois não é um partido trabalhista enquanto o PDT o é e tem uma herança histórica e o destino da inconformidade com as injustiças aos trabalhadores.
O escoadouro estreito é o Ministro Carlos Lupi que queiramos ou não é na verdade o controlador do Diretório Nacional. Carlos Lupi soube adiantar-se à perplexidade da morte rápida de Brizola, num momento em que o líder perdia substância eleitoral. Após atropelar o Conselho Político deixado por Brizola, Lupi foi afastando lentamente todas as pessoas mais próximas do líder e depois os quadros que tinham relevância na legenda e poderiam cobra-lhe legitimidade de ocupar a posição que ocupava.
Com os recursos financeiros do Partido sob o seu controle e aliado de Manoel Dias na Secretaria Geral, Lupi foi dominando o Diretório Nacional, criando uma ditadura no Diretório Estadual do Rio de Janeiro e promovendo a desunião entre os quadros do partido no Estado do Rio. O resultado foi que o Diretório Estadual é provisório, o municipal da capital também e assim como a maioria dos diretórios do interior.
A rigor a ação política de Lupi no PDT levou o partido a ser um mero cartório eleitoral a serviço de carreiras políticas e não mais de idéias. Isso é comum nos partidos pequenos e o PTB que chutou Brizola nos anos 80 é o exemplo acabado desta prática inclusive com os mensalões de todas as naturezas. Com intenção ou não, Carlos Lupi repete um grande chute na herança de Brizola.
No Rio Grande do Sul a velha guarda aposentou-se, o PT dominou o cenário político após passeios desastrados do PMDB e PSDB no governo estadual. O PDT do Rio Grande Sul que foi a referência de luta do trabalhismo nacional, se tornou um salve-se quem puder por sobrevivência e com lideranças do tipo Vieira da Cunha que não é capaz de enxergar nem a porta da verdade histórica do trabalhismo brasileiro.
Em São Paulo se encontra um grande diferencial. Ali onde o PTB e depois o PDT nunca foram fortes, juntou-se a fome com a vontade de comer. Paulinho e sua Força Sindical que nunca tiveram, como sua rival CUT, um partido trabalhista para apoiar a ação política que não se sabe se mais do líder do que da Central, passou a ter o PDT. Nos governos de coalizão como Lula e Dilma, Paulinho viu o céu que é ter o controle de um partido trabalhista. Eis a razão pela qual o PDT vive no ralo estreito de Lupi e suas unhas sangradas de tanto ter que se agarrar à cadeira de Ministro do Trabalho.
Além do constrangimento de sair com a pecha de desonesto, Lupi é estimulado a permanecer, pois Paulinho e a Força precisam do PDT para ter um ministério no governo. Esta é a razão de ter o domínio do PDT inclusive para fazer chantagem com a atual situação, fazendo namoros com Aécio Neves em Minas Gerais.
Agora se olharmos para Carlos Lupi e Paulinho, além do Manoel Dias compreendemos a dimensão política e pessoal deles. Mas não como únicos canais de circulação de um ente coletivo, político e histórico como é o PDT. Eles literalmente estão entupindo o bom fluxo do partido e eles próprios se enredando numa decadência pessoal, moral e política que sofrimentos causarão aos próprios e grande dano à luta do povo brasileiro.
Ninguém gostará de passar para história como o estreito canal que esterilizou a história de um partido como o PDT. Além de resolver o problema da cadeira de ministro e do quinhão do partido no governo Dilma, o PDT precisa se preocupar com as próximas eleições e com um mundo em crise que ataca violentamente os direitos dos trabalhadores.
Enquanto estamos na vizinhança das manchetes policiais e de comissões de ética, o PSB e PSOL realizam congressos. E os congressos são: o espaço de oxigenação, a abertura para a comunicação com a sociedade e com a militância. Os congressos destes partidos os tornarão mais fortes por que sairão com planos estratégicos para enfrentar o debate e a disputa política. Eles sairão fortalecidos, enquanto os Pedetistas se acabrunham à triste exposição de um trio que domina o partido como se fosse o dono da bola.
Em qualquer circunstância futura e dado o nível de desgaste pelos quais passam, restaria aos três se reciclar, abrir o espaço para que o PDT respire e volte a circular seu sangue sabendo que esta é a única maneira de estarem em paz com o futuro. Inclusive em paz e em segurança no campo de um grande partido.
Resta uma tentação que precisam evitar. Se ao final como tudo leva a crer o PDT partir para se reorganizar, realizando o seu Congresso, os atuais controladores do partido não podem querer que o resultado coletivo se resuma a vendetas pessoais e nem a chantagens de namoro com projetos políticos que são verdadeiramente inimigos do trabalhismo.


