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Trabalhistas históricos debatem rumos do partido

Quando os trabalhistas, sob a liderança de Brizola, se encontraram no exílio, Lysâneas Maciel pediu que constasse no documento a ser feito (Carta de Lisboa),  que os trabalhistas estavam se reunindo fora do país porque a ditadura não permitia que o encontro fosse realizado no lugar devido, a Pátria Brasileira. Da mesma forma os trabalhistas históricos do PDT têm que se reunir fora do partido por imposição de uma direção não democrática, que não permite reuniões na sede do partido, reservada apenas àqueles que dizem sim. Segue o texto com notícias do seminário reunindo lideranças trabalhistas históricas do PDT.

Saudações socialistas,

Maria Helena S. Oliveira

  Rio de Janeiro 19 de fevereiro de 2011 - Contando com cerca de 80 companheiros, o Seminário do Movimento de Resistência Leonel Brizola - MRLB, dia 19 de fevereiro, no Sindicato dos Vigilantes, foi histórico pelas presenças de trabalhistas que ajudaram a projetar o partido no cenário nacional. Participaram, José Mauricio Linhares, Vivaldo Barbosa, Carlos Alberto Oliveira – Caó, Fernando Bandeira, todos fundadores do PDT, colaboradores de Brizola em seus dois mandatos no Rio, constituintes nota 10. Os três primeiros, pelo afinco com que trabalharam sob orientação estreita de Brizola para esculpir na Constituição de 1988 em seu artigo 8º, os princípios da unicidade sindical e da contribuição sindical obrigatória, ambos em perigo. O primeiro, consta na CF como letra morta, pela portaria 186 baixada pelo Ministro Lupi que introduz na prática a pluralidade sindical sempre defendida pelo PT, que não assinou a Constituição de 88. Fernando Bandeira, constituinte nota 10 no  segundo mandato na ALERJ, escreveu sua história de líder sindical defendendo os direitos dos trabalhadores, o que o legitimou na presidência do Movimento Sindical Nacional do PDT, aspiração antiga dos sindicalistas do partido.  Organizou o 1º Congresso Nacional do Movimento, em 2004, prestigiado por Brizola – último evento que participou no Rio, em março, poucos meses antes de falecer. Ronald Barata, idealizador do seminário, foi forte liderança dos bancários no Rio, fundou a Secretaria Sindical do partido na década de 80 e posteriormente o Movimento dos Aposentados e Pensionistas – MAPI. Arnaldo Mourthé, outro estreito colaborador de Brizola, prestigiou o evento com a palestra sobre as crises cíclicas do capitalismo, sempre resolvidas pelas guerras. Todos estes companheiros foram afastados do partido pela atual  direção que os mantém longe, para, nas palavras de Vivaldo  “moldarem  outro partido que nada tem a ver com Brizola e com o Trabalhismo”. Também participaram do encontro Weber Guimarães, outro colaborador de Brizola, Fernando Siqueira, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – Aepet, Paulo Ramos, presidente do Partido Pátria Livre (em formação), Pedro Porfírio, ex-vereador por vários mandatos, jornalista combativo, o brigadeiro Ércio Braga, militar nacionalista, ex-pedetista, Geraldo Moreira, deputado estadual pelo PTN e delegação do Paraná com os companheiros, Flávio Vilmar da Silva, presidente do MRLB/PR, Maria Tereza Cunha, Nivaldo Orlandi e Dario Orlandi. Compareceram militantes aguerridos como João Leonel Estéry, sobrinho de Brizola e colaborador do Instituto Alberto Pasqualini nos muitos cursos dados, Albertina Néri, histórica militante da Brizolândia, Yolanda Negri, Rose de Freitas, Maria Belmonte, Maria Emilia, Jair de Oliveira, Jesus Nascimento, entre outros. 

Seguiu-se à palestra de abertura, debate sobre os rumos do PDT e do MRLB, objetivo maior do Seminário. Sobre o tema vários companheiros se manifestaram sendo a tônica geral o inconformismo com o caminho trilhado atualmente pelo partido, distanciando-se cada vez mais de seus princípios programáticos. Antônio Ribeiro, fundador do PDT, entende ser necessário “resgatar o PDT que é hoje um partido com donos”. É membro do Diretório Regional “o que não faz diferença, pois o Diretório é inoperante”. Nivaldo Orlandi, do MRLB/PR lembrou que Brizola um pouco antes de falecer manifestara descontentamento com o partido dizendo que se pudesse o fecharia. De lá para cá a situação piorou, mas defende “a continuidade do MRLB dentro do PDT, resistindo, lutando para virar o jogo”. Para José Mauricio Linhares “o PDT somos nós, o conjunto dos companheiros que luta pelo caminho em direção ao socialismo. É preciso continuar as reflexões e levar as discussões para as ruas”. Porfírio acredita que após a morte de Brizola o partido perdeu seu sentido histórico. “Está muito mal, porém por onde andei ainda é pior”. Concluiu, dizendo que qualquer solução tem que ser a luta partidária e ganhar as ruas como propôs José Maurício. Ronald Barata entende que o MRLB deve agregar os trabalhistas dentro do PDT ou fora dele. Para ele “temos visto mundo afora movimentos que mudaram a história em vários países como na Bolívia que elegeu um presidente.” Propõe o registro do MRLB e sua saída do partido. Fernando Bandeira entende que o grande empecilho para qualquer mudança é a lei eleitoral “autoritária  favorecendo as atuais direções partidárias em todas as siglas. Resta saber o que fazer: sair e criar outro partido ou ficar e lutar para mudar”, preferindo a última situação. Propõe estabelecer contato com os parlamentares mais independentes, procurando ampliar o MRLB. Fechando os trabalhos Vivaldo Barbosa entende que o momento vivenciado pelo país é muito propicio ao crescimento do Trabalhismo. No entanto, a direção do PDT longe disso, se distancia cada vez mais do Trabalhismo. Para ele o PDT surgiu de duas rupturas: com o PTB e com o MDB. Considera “que foi doído para Brizola, com seu brilho e carisma rasgar uma sigla e criar outra, o que dirá para nós integrantes do MRLB”. O ideal é arregimentar as forças que estão descontentes, dialogar com outras áreas trabalhistas, socialistas e nacionalistas. Estreitar contato com as duas centrais sindicais trabalhistas: a Nova Central e a Central dos Profissionais Liberais, ainda sem registro. Em razão das diversas intervenções propõe que a reunião prossiga com novas discussões, sendo aprovado a continuidade do seminário em !6 de abril. Foi aprovada Moção de Congratulação ao líder da bancada do PDT Giovanni Queirós que segue abaixo.

 

Moção de Congratulação ao Líder da Bancada do PDT, Deputado Federal Giovanni Queiroz (PDT/PA) pela conduta digna, altaneira, frente ao rolo compressor do Palácio do Planalto na votação do salário mínimo, dia 16 de fevereiro, na Câmara dos Deputados. Não só votou contra a orientação do governo como também liberou a Bancada para que seus integrantes votassem de acordo com suas consciências. Mostrou ser um autêntico trabalhista na defesa dos trabalhadores e dos princípios do Partido Democrático Trabalhista, na tradição deixada por seu fundador, Leonel Brizola. A Moção é extensiva a todos os deputados que votaram contra o governo.