Jornal de Petrópolis
Sobrinhos de Leonel Brizola afirmam que PDT virou partido de gabinete
rogeriotosta / 23/10/2011 / No comments
A convenção municipal do PDT, realizada na manhã de hoje, contou com ...
Missa por D. Neuza e Leonel Brizola

HOMENAGENS A BRIZOLA E À DONA NEUZAMISSA
O MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA - MRLB reverenciou a memória de Leonel Brizola e de sua esposa, Neuza Brizola, através de duas homenagens: A primeira, foi a tradicional missa na Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, no Centro, que neste ano, celebrada por um padre jovem, foi diferente das anteriores. Foi missa solene, de “cura e libertação”, com duração de quase duas horas. Apesar disso, não cansou, pois as pessoas permaneceram o tempo todo no templo, e foram tomadas pelo clima de enlevamento conduzido com grande competência pelo pároco, que soube despertar a emoção e até a religiosidade de muitos descrentes que ali foram em atenção ao “velho Briza”. A igreja estava lotada não só dos admiradores de Brizola como dos fiéis que foram buscar a cura para seus males. O clímax do ato foi a benção feita pelo padre, conduzindo pela nave o ostensório (Santíssimo Sacramento). Nesse momento muitas pessoas choraram. Nós, brizolistas, entramos também no clima da missa, que neste ano teve o conteúdo da libertação: Em nossos corações e mentes o ato religioso foi não só em memória de nossos entes queridos, como também pela libertação dos algozes do PDT. Libertação daqueles que se apoderaram do partido para destruí-lo, distanciando-o de seus objetivos programáticos e bandeiras de lutas. No encerramento do ato, o deputado estadual Paulo Ramos inspirado nos belos vitrais da igreja retratando os apóstolos lembrou que estes quando pregavam, diziam que haviam convivido com o Mestre. Isto valorizava suas palavras. Nós também convivemos com Brizola e sabemos o conteúdo transformador das suas idéias, o Brasil diferente que ele queria. Afirmou que Cristo teve um traidor entre seus apóstolos e Brizola entre aqueles que o cercaram, teve muitos que o traíram, assim como aos seus ideais. É o que ocorre com a direção atual do partido.
Socialistas portugueses participam da homenagem
O segundo ato em homenagem a Brizola e dona Neuza, ocorreu na sede do MRLB, à Rua 7 de Setembro, nº 112, 2º andar. Foi conduzido por Vivaldo Barbosa, coordenador do Movimento que apresentou duas visitas ilustres que abrilhantaram o evento: os companheiros do Partido Socialista de Portugal, Amândio Silva e Jaime Conde que conviveram com Brizola em seu exílio em Portugal. Participaram inclusive do Encontro de Lisboa, que produziu o documento “Carta de Lisboa”. Amândio Silva em breve depoimento falou sobre a honra imensa e estar ali para lembrar Brizola. Falou que foi uma espécie de pombo correio entre Brizola e Mário Soares. Esteve no Rio em 1979, no hotel Everest, na véspera do dia fatídico em que a sigla do PTB foi tirada de Brizola por Golbery do Couto e Silva. Recorda-se que alertou Brizola sobre o perigo de perder a sigla, mas este o acalmou dizendo que no dia seguinte, logo pela manhã, apresentaria no Tribunal Eleitoral todos os documentos exigidos. Entretanto, segundo Amândio as coisas não deram certo. Acredita que se o PTB tivesse ficado com Brizola a história do Brasil seria outra. Brizola teve que criar outro partido, o PDT que assumiu todas as conquistas sociais dos trabalhadores obtidas pelo PTB. Lembrou ainda que Brizola o levou a Irajá, onde visitou um Ciep e conversou com várias crianças. Uma delas contou-lhe que estava ensinando os pais a comerem corretamente. Nesse Ciep os alunos tinham assistência médica e atendimento integral como foi idealizado por Darcy Ribeiro. Infelizmente este sonho alimentado pelos socialistas, da escola em período integral, não teve continuidade. Brizola do princípio ao fim defendeu a educação. Lembrou ainda de quando Brizola estava para ser expulso do Uruguai e precisava de um passaporte, apelou para Mário Soares que lhe concedeu imediatamente, pois Brizola corria risco de ser morto. Depois os militares brasileiros cobraram de Mario a benesse. Lembrou ainda que Brizola tinha o hábito de usar camisas azuis. Várias vezes foi à alfaiataria em Lisboa providenciar dúzias dessas camisas para ele Lembrou também que sugeriu a Brizola que concorresse ao Senado. Darcy Ribeiro já era Senador e como seria bom para o Brasil ter dois senadores da República como ele e Darcy. Brizola desconversou dizendo que muita água ia ainda passar debaixo da ponte......... Finalizou dizendo que teve a honra pessoal de ter merecido a confiança de Brizola que foi um grande homem, um grande líder. Teve muito prazer de participar da homenagem. Em seguida, Vivaldo Barbosa, secretário de Brizola em seus dois governos no Rio, em depoimento emocionado, lembrou que antes de tudo ele foi um revolucionário. Em conversa com Willy Brandt dizia que no Brasil a social democracia teria que ser mais apimentada. Brizola não aceitava a relação que o Brasil tinha historicamente com a França e a Inglaterra, e, particularmente depois com os Estados Unidos, depois da segunda guerra mundial. Brizola não aceitava a ordem social brasileira. Tinha a noção de que os “brasileirinhos” tinham que estar preparados para a disputa da vida. Isto, as elites brasileiras nunca aceitaram. A idéia dos Cieps era revolucionária. Quando Mitterrand aqui esteve, Brizola levou-o para conhecer uma destas escolas na favela da Maré. Mitterrand vendo aquelas crianças todas, disse: ”O velho Marx ia coçar as barbas vendo aquela obra revolucionária feita pelo Brizola”. No Brasil as elites nunca aceitaram Brizola porque ele era transformador. Aqui, o Movimento de Resistência Leonel Brizola se reúne. Escolhemos a foto de Brizola na Legalidade para simbolizar nosso Movimento. Nós nos diferenciamos do PDT oficial e nosso objetivo maior é resgatar suas origens. Achamos que vocês, do Partido Socialista, também anseiam por mudanças, porque lá, em Portugal, também o Partido Socialista se distanciou de seus objetivos. Hoje, os jornais dão declarações de François Holanda, do partido socialista francês que diz que seu adversário é o sistema financeiro. Vamos ouvir os companheiros falar de Brizola, nossa inspiração para as lutas atuais. Paulo Ramos lembrou Brizola, que, além de revolucionário, era um resistente. Resistiu antes, durante e depois da ditadura militar, quando muitos foram cooptados. A tragédia que se vive hoje no Rio, é a ditadura da imprensa que glamouriza a pobreza. Instituíram a idéia do orgulho de viver nas favelas. O ponto alto do turismo é visitá-las. O grande “barato” é tirar fotos nas lajes das casas com vista para o mar. Gastaram milhões com teleféricos no complexo do Alemão, quando o correto seria construir moradias decentes para todos os moradores. No Brasil paga-se bilhões de juros da dívida interna. Nos 8 anos de FHC foram pagos 2 trilhões. Nos 8 de Lula outros 2 trilhões. Dilma em seu primeiro ano pagou 219 bilhões. Enquanto isto nada se resolve na educação, saúde, segurança pública e infra-estrutura. Ele e Vivaldo foram constituintes em 1988 e lutaram pelas estatais, pela nacionalização das riquezas do subsolo. Tudo isto não está mais na Constituição. A soberania no país está irrealizável.Neste quadro todo quando nos reunimos para reverenciar Brizola lembramos que ele em seu governo no Rio Grande do Sul encampou duas multinacionais. Homenagear Brizola é lembrar os compromissos que sempre lhe foram caros. Hoje, nossas estatais como a Petrobrás, estão se transformando em empresas imperialistas. Proclamam que somos a 6ª economia do mundo e no entanto, em Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, estamos na 84ª posição. Dilma com 60% de aprovação nada fez. O BNDES está se capitalizando para continuar as privatizações. Vão entregar os aeroportos e continuar com os leilões dos campos de petróleo. Vemos com tristeza a situação do PDT. Temos que lutar para que continue sendo um partido transformador. As cúpulas partidárias atuais não são nossos adversários internos. São nossos inimigos. Estão traindo nossa causa e comprometendo eticamente a imagem do PDT. Perderam a compostura e as bandeiras de luta. Brizola morto sofre ainda sofre a traição deles. Mas nós somos a resistência para continuar o sonho de Brizola. Outros que lembraram Brizola foram os companheiros, Rosivaldo, Maria Helena, Antônio César, Jair, Albertina Néri e Euclides.
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Nossas ReuniõesNossos encontros são realizados nas primeiras e terceiras segundas-feiras de cada mês. Rua 7 de Setembro, 112 / 2° andar, Rio de Janeiro, das 18 às 20 horas. |



